Na
estação pedi para o funcionário abrir a grade para eu passar a
bike e ele desinformado me disse:
-Espera que vou me informar sobre o horário de liberar as bicicletas.
-Está liberado – disse eu atrasado, sem querer perder tempo. Assim ele abriu a grade e pude deixar a magreala encostada para depois passar o bilhete.
Fiquei
esperando o trem que estava demorando, queria embarcar e chegar o
mais cedo possível à Jundiaí. O primeiro chegou lotado, tive que esperar
mais um pouco.
Depois
da estação Francisco Morato o vagão que eu estava ficou
completamente vazio, com exceção de mais duas pessoas que estavam comigo.
Cheguei
em Jundiaí e assim terminou a primeira etapa, descansado para
prosseguir viagem para Itu, agora eu e a magrela na estrada, duas
horas depois estaria na cidade, junto com a família para passar o
dias das mães.
Parei
no caminho para repor as energias, fiquei bem pouco tempo, pois
estava entardecendo e logo estaria noite, tudo que eu queria naquele
dia é não pedalar de noite.
Não
consegui chegar antes da noite vir e deixar escuro a via em que eu
pedalava, nunca tive uma experiência de pedalar na estrada escura. Estava perto de Itu quando escureceu, a dificuldade de pedalar se fazia presente, então eu diminui a velocidade, no céu uma lua quase nova, ou seja, não tinha luminosidade para me guiar, me guiava pela pequena luz que tem em minha bike, também pelas luzes dos carros que vinham atrás e pela intuição para não cair em algum buraco, eu estava pem pertinho do acostamento com a mata. Um agravante – os carros que estavam na outra pista. lançavam a luz de seus faróis altos que me ofuscava a visão. Notei que a cidade que eu avistara de longe no crepúsculo não chegava, algo estava errado.
Por
não ter o ciclocomputador, que me furtaram, estava sem referência,
sabia que estava fora da minha rota, e não poderia me guiar pelas
placas que estava espalhada pela estrada, eu não enxergava nada, foi
então que um carro passou e iluminou uma placa indicando Campinas.
Tive
a certeza que estava fora do meu destino, mantive a tranquilidade,
um atenuante - escutava um mantra para relaxar e não entrar em desespero.
Então avistei uma cidade, era Itu, fiquei assim mais calmo.
Encontrei
ao longe, um pouco mais iluminda a ciclovia que liga a cidade de Itu
até Salto. Estava em casa.
Como
conhecia o caminho, a tranquilidade me tomou conta, estava cansado,
pois fizera um desvio entorno de dez quilomêtros, nada absurdo. Chamo a atenção para o trajeto
em que me sentia perdido, por muitos anos de prática de Yoga, ela me ajudou para ficar mais leve
e determinado, por se tratar de concentração e deixar o medo de
lado.
Com
tanta aventura cheguei à casa de minha irmã, cansado, com sede e
fome, me dissera que tinha uma pizza me esperando, além do calor dos entes querido
que se surprenderam quando cheguei, ficaram contente e admirados
quando disse que tinha vindo pedalando.
Tudo
bem quando termina bem.